ARTE  NOUVEAU

Na última década do século XIX, surgiu um novo movimento artístico que reuniu as mais diversas tendências: as idéias da industrialização, do Movimento das Artes e Ofícios, da arte oriental, das artes decorativas e das iluminuras medievais.

Esse movimento se difundiu por toda a Europa e recebeu nomes diferentes nos diversos países. Na França era conhecido como Modern Style ou Art Nouveau; na Alemanha, como Jugendstil; e na Itália, como Stile Floreale ou Stile Liberty.

A produção do Art Nouveau — nome pelo qual esse movimento ficou mais conhecido — envolveu principalmente os objetos ornamentais e a arquitetura.

Nas chamadas “artes aplicadas”, ou seja, as que se dedicam a produzir objetos para o uso cotidiano, o estilo art nouveau recebeu várias contribuições. Entre elas estão os trabalhos dos ingleses Christopher Dresser, Walter Crane, Kate Greenaway e Charles Mackintosh.

Christopher Dresser (1834-1904) era professor de desenho e estudioso de Botânica. Seus desenhos, que recriavam formas vegetais, destinaram-se aos mais diversos objetos: peças de metal, vidro, papéis de parede, cerâmica e mobiliário. Em última análise, o propósito de Dresser era transformar as formas naturais em formas decorativas.

Walter Crane (1845-1915) e Kate Greenaway (1846-1901) trabalharam na ilustração de livros infantis. Crane ilustrou, por exemplo, A Bela e a Fera, mas desenhou também motivos para tecidos, tapetes, azulejos, vitrais, cerâmica e papel de parede. Já Kate Greenaway fez desenhos para cartões do Dia dos Namorados que se tornaram muito famosos e renderam-lhe grande sucesso comercial. Mas seu trabalho artístico de maior reconhecimento foram as ilustrações para livros e contos infantis.

Charles Rennie Mackintosh (1868-1928) deu nova direção a esse estilo, tornando suas linhas mais retilíneas e simétricas. Exemplo disso é a decoração do Salão de Chá Willow (foto 36). Este salão, que se encontra num edifício inteiramente projetado por esse arquiteto e construído entre 1901 e 1904, teve como modelo de seus elementos decorativos a folha do salgueiro (willow, em inglês). Uma peça especialmente famosa de Mackintosh é a porta dupla que projetou para esse mesmo salão, em madeira pintada e vidro colorido.

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Na França, os trabalhos de René Lalique (1860-1945) e de Émile Gallé (1846-1904) são os melhores exemplos dessa arte decorativa. Usando pé­rolas, esmalte e cores suaves, Lalique criou jóias representando flores, plantas e animais de aspecto frágil e delicado (foto 37). De Émile Gallé são famosos os jarros em vidro, com linhas sinuosas inspiradas na natureza floral (foto 38).

O estilo art nouveau nas artes aplicadas difundiu-se também na América. Nos Estados Unidos, por exemplo, seu principal representante foi Louis Confort Tiffany (1848-1933), que reuniu influências da arte mourisca e da arte japonesa e desenvolveu um novo método de produção de vidros ornamentais para luminárias, vitrais e vasos. Suas peças, opacas ou transparentes, eram baseadas em motivos naturais (foto 39).

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De modo geral, o Art Nouveau procurou preservar o contato do artista com a natureza e desenvolver um artesanato habilidoso. Os pintores, escultores e arquitetos ligados a esse estilo tentaram escapar do crescente modo de produção industrial e procuraram criar peças e materiais construtivos, recorrendo aos processos artesanais.

A principal conquista do Art Nouveau, porém, foi promover uma verdadeira unidade das artes. Desse modo, os móveis, os objetos do dia-a-dia e o próprio edifício passaram a ser criados a partir de uma mesma tendência decorativista.