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ROCOCÓ |
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De
modo geral, a arte que se desenvolveu dentro do estilo rococó pode ser
caracterizada como requintada, aristocrática e convencional. Foi uma
arte que se preocupou em expressar apenas sentimentos agradáveis e
que procurou dominar a técnica de uma execução perfeita. O
Rococó teve início na França, no século XVIII, difundindo-se a
seguir por toda a Europa. Em nosso país, foi introduzido pelo
colonizador português e sua manifestação se deu principalmente no
mobiliário, conhecido por “estilo Dom João V” (foto 30). O
termo “rococó” originou-se da palavra francesa rocaille
que, em português, por aproximação, significa concha.
Esse detalhe é significativo na medida em que muitas vezes podemos
perceber as linhas de uma concha associadas aos elementos decorativos
desse estilo. Para
alguns historiadores da arte, o termo rococó indica a fase do Barroco
compreendida entre 1710 e 1780, quando os valores decorativistas e
ornamentais são exaltados tanto pelos artistas quanto pelos
apreciadores da arte. De
fato, pode-se ver no Rococó um desenvolvimento natural do Barroco. Porém,
há entre esses dois estilos algumas características bem distintas. As
cores fortes da pintura barroca, por exemplo, na pintura rococó foram
substituídas por cores suaves e de tom pastel, como o verde claro e o
cor-de-rosa. Além disso, o rococó deixa de lado os excessos de linhas
retorcidas que expressam as emoções humanas e busca formas mais leves
e delicadas. A arte do Rococó refletia, os valores de uma sociedade fútil que buscava nas obras de arte algo que lhe desse prazer e a levasse a esquecer seus problemas reais. Os assuntos explorados pelos artistas deveriam ser as cenas graciosas, realizadas de tal forma que refletissem uma sensualidade sutil. ARQUITETURA
ROCOCÓ Na
arquitetura, o estilo rococó manifestou-se principalmente na decoração
dos espaços interiores, que se revestiram de abundante e delicada
ornamentação. As salas e os salões têm, de preferência, a forma
oval e as paredes são cobertas com pinturas de cores claras e suaves,
espelhos e ornamentos com motivos florais feitos com estuque. Em
oposição a esse interior rico em elementos decorativos, a fachada dos
edifícios reflete um barroco sem exageros ou o estilo clássico dos
renascentistas italianos. São
exemplos dessa arquitetura o Hotel
de Soubise, construído por Germain Boffrand e decorado por Nicolas
Pineau, em Paris, entre os anos de 1736 e 1739, e o Petit
Trianon, construído por Jacques-Ange Gabriel, em Versalhes, entre
1762 e 1768 (foto 32). O
Hotel de Soubise, sobretudo o Salão da Princesa, é um exemplo típico
do estilo rococó. Nicolas Pineau criou, com estuque, frisos que
emolduram quadros e espelhos, guirlandas que se entrelaçam em
sucessivas linhas curvas, enfim, um ambiente tão decorado que o olhar
do observador é atraído sucessivamente para os mais diversos detalhes
(foto 31).
PINTURA
ROCOCÓ Na
pintura, são nítidas as diferenças entre o Barroco e o Rococó.
Enquanto o Barroco desenvolvia temas religiosos em que as atitudes dos
personagens eram repletas de conotações dramáticas e heróicas, o
Rococó desenvolvia temas mundanos, ambientados em parques e jardins
ou em interiores luxuosos. As personagens não são mais de inspiração
popular, e sim membros de uma aristocracia ociosa que vive seus últimos
tempos de fausto antes da Revolução Francesa que se aproxima. Dentre
os pintores desse período, os que melhor expressam o estilo rococó são
Watteau e Chardin. Embora
tendo nascido em Flandres, Antoine
Watteau (1684-1721) é considerado um verdadeiro mestre da pintura
rococó francesa. Seus quadros de cenas amorosas substituem as pinturas
de temas religiosos e históricos. Seus
personagens são joviais e parecem dedicados ao
gozo das coisas boas da vida, à busca de uma cultura perfeita e da
alegria de um viver tranqüilo. Mas é indisfarçável neles uma nota
de melancolia, um certo ar de tédio em meio ao prazer(foto
34). Jean-Baptiste
Siméon Chardin (1699-1779)
tinha uma situação econômica melhor do que a de Watteau. Esse fato
permitiu-lhe uma criação mais livre e independente dos favores da
corte e das expectativas artísticas da aristocracia. Por isso, seus
quadros, em vez de apresentarem o mundo fantasioso e frívolo dos cortesãos,
retratam cenas da vida cotidiana e burguesa da França – obra
De Volta do Mercado (foto 33).
A
principal característica de Chardin é a sua composição nítida e
unificadora de todos os elementos retratados. A pintura de Chardin conserva o mesmo toque luminoso de Watteau, mas os temas de interesse desses dois artistas, apesar de pertencerern ao mesmo movimento artístico, são muito diferentes.
A
ESCULTURA Nessa
arte, o estilo rococó substituiu os volumes que indicam o vigor e a
energia barrocos por linhas suaves e graciosas. A escultura, que se torna
intimista, geralmente procura retratar as pessoas mais importantes da época.
São famosas, por exemplo, as esculturas que Jean Antoine Houdon fez
retratando Voltaire, Diderot,
Rousseau e outros tantos personagens da história francesa e
universal. Dessas esculturas a de Voltaire (foto 35) é a mais conhecida,
por causa da percepção aguda que o artista teve do caráter desse
pensador francês. Mas
não foi apenas nos retratos que se destacou a escultura rococó. Foi ela
a responsável pela criação das estatuetas decorativas, a partir da
invenção da porcelana por dois cientistas alemães, Tischirnhaus e
Boettger, em 1708. Já
em 1709 apareceram as primeiras peças decorativas em porcelana. Durante o
século XVIII, os escultores rococós alemães, franceses, italianos e
espanhóis criaram modelos para a manufatura de estatuetas, reproduzindo
temas mitológicos, campestres e da sociedade cortesã. Entre
esses escultores decorativos estão, por exemplo, François Boucher e Étienne
Maurice Falconet, que criaram modelos de pequenas estátuas de Vênus,
banhistas, ninfas e cupidos para a Manufatura Real de Porcelana de Sévres. |